Coração Virtual

CORAÇÃO VIRTUAL

Tão longe,
mas tão perto
a um teclar.

Tão longe,
mas que me mata
a um calar.

Tão longe,
mas que me faz feliz
a um enviar.

Tão longe,
mas que sinto
tão perto.

Tão perto,
do meu tocar digital,
do meu olhar quadrado,
do meu coração virtual.

[por Tássio Telles]


Encontro Marcado

Uma visita inesperada

O que você faria se, de repente, começasse a escutar uma voz do além? E, o pior, se essa voz se apresentasse como ninguém mais, ninguém menos que a morte querendo fazer um acordo com você? É exatamente essa a proposta que o filme “Encontro Marcado ” (Meet Joe Black) nos apresenta.

William Parrish (Anthony Hopkins) é um empresário de sucesso, dono de sua própria companhia, prestes a fazer 65 anos de idade. Ele tem duas filhas, Allison (Marcia Gay Harden) a mais velha, já casada e super cuidadosa com as festas de aniversário do pai e a mais nova, médica, chamada Susan (Claire Forlani), que é noiva do braço direito de William, o falso Drew (Jake Weber). A vida aparentemente normal do empresário muda quando um rapaz chega a sua casa dizendo ser a morte.

Joe Black (Brad Pitt), nome que William batiza a morte, propõe um trato para o empresário: ele o concede mais uns dias de vida em troca de sua ajuda para conhecer o mundo. E nessa aventura pela vida, Joe acaba causando várias mudanças na rotina de William, desde suas relações no trabalho até a sua vida pessoal, principalmente quando percebe que sua filha, sem fazer a mínima idéia do que esta acontecendo, acabou se apaixonando pela morte vestida de gente. E o melhor, a “roupa” que a morte escolhe vestir é justamente o rapaz que Susan conheceu numa lanchonete e a deixou encantada, mas que morreu logo após o encontro.

Sem fugir muito do comum dos filmes de romance, o longa surpreende apenas ao mostrar como a morte escolhe e executa a posse de seu novo corpo. Mas, apesar de previsível, não deixa de cumprir o papel de passar uma mensagem bonita e comovente.

O filme mostra que mesmo uma pessoa rica e bastante envolvida com o trabalho, que à primeira impressão nos parece arrogante e fria, é capaz amar e preservar a família. William é o maior exemplo disso e mesmo com todo o seu dinheiro e sua rotina comandada pela sua empresa, ele demonstra ter um carinho sem tamanho pela suas filhas. Além disso, é muito bonito o conselho que ele dá para Susan quando eles conversam sobre o relacionamento da moça com Drew e o sentimento de amar de verdade:

Quero te ver arrebatada.
Flutuar, cantar extasiada, dançar como um dervixe.
Seja delirantemente feliz ou predisposta a ser.
(…) Sei que parece pieguice, mas amor é paixão. Obsessão por alguém que não pode viver sem.
Cair de quatro.
Amar loucamente alguém que corresponda seu amor
Como vai encontrá-lo?
Esqueça a razão e siga o coração.
A verdade é que sem isso a vida não tem senido.
Terminar a longa jornada sem ter amado seria como não ter vivido.
Tem que tentar.
Porque se não tentar, não terá vivido.
Fique receptiva,
Quem sabe o céu pode se abrir.
*

Mas, o ponto forte do filme, na minha opinião, está nas atuações. Principalmente a de Anthony Hopkins, que se mostra excelente no papel de um senhor que esta prestes a morrer e faz sua avaliação sobre a vida e seus valores. Brad Pitt também não faz feio e consegue tornar a morte até mesmo simpática aos nossos olhos. Entretanto, o ponto negativo é a sua duração, são 3 horas de filme e com um ritmo bastante lento, podendo se tornar um pouco cansativo (sendo que ele é uma refilmagem de um longa de 78 minutos apenas, o “Uma Sombra que Passa”, de 1934)

Ao menos a mensagem é sincera e tocará os menos exigentes de forma profunda. Além disso, a fotografia e a trilha sonora são impecáveis, justificando os 90 milhões de dólares investidos no filme. E olha que nem efeitos especiais magníficos têm!

Mesmo com todos os seus defeitos, considero um exagero a indicação do longa ao Framboesa de Ouro como pior continuação ou remake. “Encontro Marcado” tem sim o seu charme e para quem gosta de romance que emociona, também é um prato cheio. Mas, para aqueles que se ligam em maiores detalhes em uma trama, acredito que ele não passe de mais um água com açúcar sem novidades.

* Existem outras versões deste texto/fala em português que você pode ver aqui e aqui.

Ficha Técnica
Título Original: Meet Joe Black
País/Ano: EUA/1998
Duração: 186 minutos
Gênero: Romance
Direção: Martin Brest
Roteiro: Ron Osborn, Jeff Reno, Kevin Wade e Bo Goldman
Fotografia: Emmanuel Lubezki
Elenco Principal: Brad Pitt (Joe Black), Anthony Hopkins (William Parrish), Claire Forlani (Susan Parrish), Márcia Gay Harden (Allison), Jake Weber (Drew), Jeffrey Tambor (Quince), David S. Howard (Eddie Sloane)

Fonte: Livros & Bolinhos.

ENCONTRO MARCADO

A morte é o tempo
que não tem tempo,
mas que chega na hora marcada.

É a luz
que não tem luz,
mas que ilumina.

É o amor
que sente amor,
mas que não tem amor.

É a solidão
que tem solidão,
mas que não está só.

É o brilho
que brilha
na imensidão.

É o canto
que ecoa
no silêncio.

É a água viva,
que de viva
não tem nada.

É o dia,
a hora,
o instante,
o encontro marcado.

[por Tássio Telles]

ENCONTRO MARCADO

A morte é o tempo
que não tem tempo,
mas que chega na hora marcada.

É a luz
que não tem luz,
mas que ilumina.

É o amor
que sente amor,
mas que não tem amor.

É a solidão
que tem solidão,
mas que não está só.

É o brilho
que brilha
na imensidão.

É o canto
que ecoa
no silêncio.

É a água viva,
que de viva
não tem nada.

É o dia,
a hora,
o instante,
o encontro marcado.